sábado, 23 de fevereiro de 2013

Cinco minutos de José de Alencar - Analise

Bem gente, estou passando para colocar uma analise do conto Cinco minutos de José de Alencar.

Em 1808 Dom João chega ao Brasil, trazendo a corte europeia. Sua vinda, devido a ameaças de invasão que Napoleão Bonaparte fez, faz com que haja muitas mudanças na cultura brasileira, já que ele tenta recriar na colônia sua terra natal, a Europa, e manter seus costumes. Isso desencadeará o processo de colonização cultural. Esse processo além de mudar a estética urbana, mudou as ideias da população que, com a introdução do Romantismo, desenvolveram um espírito nacionalista. A análise do texto Cinco Minutos de José de Alencar serve como exemplo para mostrar o processo de colonização cultural.
No texto podemos ver alguns elementos como a valorização ao catolicismo ao vermos o uso de citações a Deus como no trecho “por que é que Deus deu o Aroma [...]”. Há também citações a outras obras clássicas portuguesas e o uso do latim que mostra um juízo de valor a Portugal. Além disso, há demonstrações ao uso de vestimentas que eram típicas a Portugal e foram trazidos esses costumes para o Brasil colônia que depois se tornou independente, porém com os mesmos costumes, assim também como bailes citados no texto.
No capítulo V, Carlota fala sobre bailes e idas frequentes ao teatro. Com isso percebemos um aspecto da colonização cultural: a introdução de costumes europeus no cotidiano brasileiro. Não é comum no Brasil da época ir a bailes e teatros.
Ela também fala muito sobre Deus em sua carta. Isso remete a influência da religião europeia e a colonização brasileira, pois os índios, que tinham sua própria religião, foram catequizados pelos jesuítas nas primeiras expedições ao Brasil e a partir de então, a religião se tornou algo de grande importância na sociedade brasileira.
Já neste trecho do capítulo VIII: “Não tinha um trono, como Ricardo III, para oferecer em troca de um cavalo; mas tinha a realeza do nosso século, tinha dinheiro”, ele faz referência ao rei da Inglaterra mostrando ter um grau cultural elevado, ser culto. Ele também fala em vários momentos que o dinheiro não é problema e que paga o que for necessário para conseguir realizar sua viagem e encontrar Carlota. Estas coisas não faziam parte da realidade brasileira do período colonial.
Ao falar do Rio de Janeiro como um lugar belo no fragmento “[...] esperando a cada momento ver desenhar-se o perfil do meu belo Rio de Janeiro”, de certa forma, ele exalta sua nação, criando assim uma ideia de nacionalismo.

O trecho “Percorremos a Alemanha, a França, a Itália e a Grécia; passamos um ano nessa vida errante e nômade, vivendo do nosso amor e alimentando-nos de música, de recordações históricas, de contemplações de arte.” mostra novamente um aspecto da colonização cultural, pois nessa época não era comum no Brasil realizar viagens e ter esse interesse por arte, música e recordações históricas. Somente os filhos dos burgueses ricos ou nobres é que viajavam à Europa para estudar.

“Depois, como as andorinhas que voltam com a primavera para fabricar o seu ninho no campanário da capelinha em que nasceram, apenas ela recobrou a saúde e as suas belas cores, viemos procurar em nossa terra um cantinho para esconder esse mundo que havíamos criado.” Neste fragmento é possível observar que eles voltaram ao Brasil. Isso demonstra um sentimento nacionalista, pois eles passaram um ano na Europa e poderiam continuar vivendo lá, mas preferiram voltar à sua terra natal.

Além destes aspectos, a linguagem culta e frases em francês utilizadas também expressam marcas da colonização cultural porque a sociedade brasileira que aqui se encontrava nesse período era desprovida dos conhecimentos europeus, logo não utilizavam uma linguagem formal e em outro idioma.

1 comentários:

Vida solitaria disse...

muito bom seu blog! mais um seguidor